Houve uma época que as mulheres eram consideradas representantes terrenas das deusas e mensageiras que carregavam o mistério da vida dentro de ventre. Vivendo em comunhão com a natureza, elas possuíam compreensão atenta em particular das mudanças em seus corpos. Sabiam exatamente quando ovulavam e reconheciam os sinais que antecediam suas fases reprodutivas, além de possuírem umas especiais sensibilidades, próxima da clarividência, que acompanhava este ciclo. Em todos os aspectos suas vidas eram norteadas pela sensação de conexão como universo, pela composição natural que as cercavam; céu, terra, água e ar, estações do ano e o respeito ao ritmo divino. Tudo isso porque era uma cultura em que a conexão entre sexualidade, menstruação e nascimento era parte do conhecimento diário. Nesse tempo, as mulheres se reuniam uma vez ao mês em rituais de fertilidade que aconteciam, principalmente, durante a noite e com exclusão dos homens. Os locais escolhidos usualmente eram tendas vermelhas, colinas ou terrenos elevados, pois simbolizam o feminino, visto que, emergem da terra, assim como o ventre se mostra no relevo do corpo.As antigas religiões femininas declinaram por volta de 3000 A.C em muitas culturas o matriarcado foi substituído pelo patriarcado. As deusas lunares foram relegadas completamente para a zona da escuridão e da magia e a era da mitologia solar começou e, com ela, a dominação da consciência masculina.A sensualidade, a sexualidade, conectadas a terra, expressada pelas mulheres em sua dança não mais servia a elas e ao mistério do ser, mas em lugar disto, servia para entreter e estimular os espectadores. Dessa forma, a dança do ventre das mulheres morreu em muitas partes do mundo.